quinta-feira, 30 de julho de 2009

Edição nº22


Fazendo - Capitulo I


Iniciou-se o Fazendo com o Outono passado. Chegados ao meio do Verão decidimos dar por encerrado o primeiro ciclo deste nosso boletim e fazer uma pequena pausa antes de regressarmos novamente com a estação das frutas (a comunicação social mais ligada à cultura chama-lhe reentrèe).

Fim de um ciclo, dizemos. Primeira etapa de um percurso que nos atrevemos a chamar colectivo – e assim o queríamos. Seguindo um paradigma recente de informação democratizada, pretendeu-se estimular a comunidade a criar mais oferecendo-lhe uma janela para mostrar essas criações. Simultaneamente fomentou-se a partilha de conhecimentos e discussão daquilo que outros fazem, noutras comunidades, para que possamos integrar esses elementos novos naquilo que fazemos. Na primeira edição afirmáva-mos não ter “jornalistas creditados, profissionais peritados ou críticos conceituados”, somente uma vontade de fazer e de crescer colectivamente que, achamos nós, foi bastante partilhada ao longo deste ano. No entanto, pode e deve ser mais.

Cultura e ciência, duas disciplinas que ao longo da história mantiveram um diálogo constante - ora servindo a ciência como matéria da arte, ora a arte aproveitando-se dos progressos da ciência para veicular a sua expressão – foram o objecto escolhido. Não gratuitamente, diga-se.

Pode-se entender a cultura como espelho social e individual, meio de reflexão e até de educação. Embora muitos a achem supérflua é inegavelmente uma constante no quotidiano, quer nos objectos a que agora chamamos artesanato e que um dia foram instrumentos de trabalho imprescindíveis, quer mais recentemente na música que não podemos deixar de ouvir quando vamos ao supermercado, nas esculturas que adornam rotundas, no design inerente a qualquer publicação ou até numa certa plasticidade artística que subtilmente vai sendo utilizada por alguma telepublicidade mais arrojada. Querendo ou não, vivendo numa sociedade ocidental (ou ocidentalizada), atrevo-me a dizer que a cultura é algo que está praticamente em toda a parte e que é impossível não consumir. Ora, utilizando uma analogia dietética, qualquer pessoa compreende que aquilo que come é literalmente o que vai constituir o seu corpo e daí se compreender a necessidade de algum cuidado com os alimentos escolhidos. Saber escolher, filtrar e interpretar o que irá ser alimento dos restantes sistemas que não o digestivo, torna-se imperativo para cuidar de outros tipos de saúde não menos importantes. Nem toda a gente tem de saber quem foi Schubert da mesma maneira que um erudito em Sartre não tem de saber arranjar o carro. A quantidade de informação e de estímulos é cada vez maior e a necessidade de escolher e filtrar, inevitável. Alguma atenção a esse bicho estranho da cultura, como ao menos estranho que é a ciência, pode contribuir para essa melhor saúde, penso. O próprio exercício criativo ajuda a pôr as ideias em ordem.

Para finalizar, que o esforço no sentido de uma comunidade em crescimento (pelo menos qualitativo) seja cada vez mais partilhado e que se abandonem preconceitos que para isso em nada contribuem - o de elitismo da cultura à cabeça. Até à “reentrada”, em setembro, agradecemos a todos os que participaram neste projecto, e mais uma vez deixamos aqui um braço estendido e um convite reiterado para que mais o vão fazendo.


Pedro Lucas


Colaboradores:

Ilustração: Francisco Silva
Crónica: Pedro Lucas
Chegadas: Aurora Ribeiro
Gatafunhos: Tomás Silva
Arquitectura e Artes Plásticas: Ana Correia, Aurora Ribeiro e Pedro Monteiro
Literatura: Ilídia Quadrado
Ciência e Ambiente: Dina Dowling e Filipe Moura Porteiro
Lacunas: Tomás Silva


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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Edição nº21


Crónicazinha


Perspectivar o futuro do edifício do Banco de Portugal reclama o conhecimento da sua história, do que representou e representa, ainda hoje, no contexto urbano da cidade da Horta. Este edifício marcante foi construído nos anos trinta do século XX e faz parte de "um todo coerente"*, que constitui a área urbana do centro da cidade. A fachada em pedra calcária dialoga com o basalto negro que reveste a fachada da Igreja de S. Francisco, construída no sec XVII e a leveza do Jardim Eduardo Bulcão.

Enquanto interventora cultural, só posso desejar que o edifício do Banco de Portugal seja um Espaço destinado às Artes; uma Academia de Artes.

Fundamento: a dignidade do edifício justifica que o Município lhe dê um fim social e culturalmente nobre. O facto de ser constituído por dois pisos permite projectar oficinas no res-do-chão e exposições no primeiro piso, uma área completamente revestida a mármore, com uma enorme dignidade.

É possível ainda projectar jardins e uma Residência de Artistas no espaço exterior, contíguo à Rua Conselheiro Miguel da Silveira. A recente exposição de pintura de Pedro Solá demonstra que a ilha é um espaço de criação, por excelência, para aqueles que libertos da alienação do quotidiano, se entregam às artes e ao processo criativo.

* in Inventário do Património Imóvel dos Açores

Maria do Céu Brito


Colaboradores:

Ilustração: Ana Correia
Crónica: Maria do Céu Brito
Chegadas: Aurora Ribeiro
Gatafunhos: Tomás Silva
Cinema: Aurora Ribeiro
Música: Eugénio Viana
Arquitectura e Artes Plásticas: Ana Correia e Eugénio Viana
Literatura: Ilídia Quadrado
Ciência e Ambiente: Cristina Caravalhinho e Dina Dowling 
Lacunas: António Jorge da Câmara, Rui Assunção e Tomás Silva


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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Edição nº20


Crónica das oito teorias ou um ensaio do novo tipo, pois eu não tenho a paranóia dos romances


Quando eu era puto, tinha a mania de me ocupar em tentar consertar o mundo. O meu mundo. A ilha. O espaço em que me movia. Remendava aqui e ali, tirava dacolá, acrescentava algo de novo a certas coisas, que a meu ver eram importantes. Conversava muito. Conversava com os mais velhos, com uns e com outros, sobre tudo e sobre nada, mas a dada altura cheguei à brilhante conclusão, que esta coisa de mudar o mundo, é cá uma trabalheira, um projecto com dimensões e contornos brutais, e cansei-me. Cansei-me logo nos primeiros meses do ano em que completava os 15 anos. Olhei então à minha volta, e pensei na séria hipótese de escrever um Livro de Teorias. Isso mesmo. Teorias. Teorias das mais variadas e para as mais diversas necessidades pois uma pessoa não sabe o dia de amanhã. Porquê? Não sei. Nem penso muito nisso. Apenas penso nas teorias, e em ver o meu rico livrinho publicado. Sempre poderei ganhar alguns trocos, pois há sempre pessoas que vão em cantigas, mesmo em sol baixinho.
Pois bem. Comecei com brevíssimos apontamentos. Rabiscos em guardanapos, toalhas de mesa, nos maços de tabaco e no verso dos talões das compras. Outro dia, falei deste Livro de Teorias, a um amigo de longa data. Este, deveras curioso, pretendeu obter alguma informação detalhada sobre a hipotética publicação. Fez-me perguntas. Muitas perguntas e difíceis – para variar – e não hesitei por citar alguns exemplos dessas minhas teorias já anotadas. Vejamos:
Exemplo 1: Tenho como teoria o seguinte: quanto menos um adepto de um clube desportivo entende de futebol, mais alto fala. Outro dia, num café, mesmo perto da casa onde pernoito, e onde vou regularmente satisfazer o meu vício de fumador de tabaco, dois tipos falando de um certo e determinado encontro futebolístico, e aos berros, não davam uma para a caixa. Diziam um chorrilho de disparates. Cada um pior que o outro. Cada cova, cada minhoca, cada cavadela, cada cagadela. É pá, eram seguidas - contou-me alguém entendido nessa nobre arte de discutir futebol. A partir de então, esse tal meu amigo, começou por concordar com esta minha teoria, o que me deixou deveras entusiasmado. Se vontade tinha para avançar com o Livro das Teorias, com mais vontade fiquei.
Tenho outra teoria: Um sujeito quando compra um carro novo, espaçoso, com ar condicionado, airbag, jantes especiais, alta cilindrada, etc. menos tolerante ele é, com tudo e com todos.
Qualquer um pode fazer o teste. É só passear pela marginal da Horta. Outro dia, um senhor já com uma certa idade, conduzia um carro, daqueles que não sei como passam na inspecção, um tanto ao quanto em mau estado, pneus carecas, escape preso por um arame e retrovisor rachado pelas desgraças do tempo e da vida. Quando me preparava para atravessar a estrada, ele começa a parar bem ao longe e fez-me sinal para passar. Melhor ainda. Até esboçou um simpático sorriso. Lindo! Não adianta ter pressa, o melhor mesmo é sair à hora certa, que isto de andar com pressa é um stress do caraças.
Dias depois, avisto um “alto carro”, todo xpto, com ar condicionado, auto rádio, mp3, leitor de cd, dvd, telefone, televisão, micro-ondas, frigobar, churrasqueira, wc, jacuzzi, piscina e sei lá que mais… Quando começo a atravessar a passadeira, o espalhafatoso condutor - qual figurinha de filme de Emir Kusturika - prego a fundo, acciona a puta da buzina, o que me leva a tomar as devidas precauções. Deixei-o passar, antes que fosse completamente cilindrado. Pior que isso: O tipo estava cá com um mau humor, (mau humor sistemático) por algum motivo que nem Freud encontraria explicação para tanto azedume.
Outra teoria: Quando um sujeito inicia um processo de mestrado, descobre que é um autêntico burro.
Aconteceu e acontece a vários amigos meus. Um tipo é um bom profissional, dá conta do recado, lê os seus livrinhos, vai ao cinema, tem uma certa base crítica, não é nenhuma sumidade intelectual, mas resolve fazer um mestrado. Na primeira semana, descobre que as pessoas andam a dizer coisas muito mais interessantes… Enfim, começa mesmo a perceber que é meio burrinho, mesmo. A sorte é que no segundo semestre, lê que nem um camelo, começa a dizer coisas importantes, e não se acha mais tão quadrado assim.
Teoria número quatro: Um crítico de cinema vê o filme que vimos, mas é um outro filme.
Tirando o João Lopes, da SIC, que gosto muito, o crítico de cinema parece que vê sempre outra coisa. Quando a gente vê um drama humano, algo para repensar a vida, o crítico acha que o cinema está também em crise, e “não acerta o paradigma de uma estética existencialista". Quando o filme é aquela seca do início ao fim, e saímos do cinema com uma forte dor de cabeça, querendo tomar umas bejecas ou um whiskie para relaxar, o crítico entende que “a estética inovadora deu um novo impulso à narrativa, optando pela pluralidade”. Dá vontade apenas de dizer: é ruim, heim? Olhe, vá à merda…
Outra teoria: Cachorro é a cara do dono.
Podem olhar. Vem um fulano gordinho, o cachorro é gordinho. Vem um tipo magrinho, o cão é magrinho. Vem outro gajo que não se cala, o cão não para de ladrar. Vemos um cão que encontra outro cão e lhe vai ao rabo, o dono é gay. Vem uma tia empiriquitada, o seu caniche parece uma boutique ambulante a tresandar a perfuma de velha. Vem um labrego, ao seu lado, estará com certeza, um cãozinho de orelhas cortadas, rabo traçado e com uma coleira com o emblema do Benfica.
Teoria seis: Há gente que só vai ao cinema comer pipocas, e ainda por cima com a boca aberta.
Eu decididamente não entendo. Não percebo e se calhar nunca vou perceber. Já assisti a vários filmes, nunca vou ali, comprar umas pipocazinhas. Nem quando vou ver um blockbuster. Nenhum amigo, que assiste a um filme comigo, tem fome de pipocas. Isso mesmo. Fome de Pipocas. Mas quando vou a um centro comercial, chego à sala de cinema, sento-me, e lá vem um filho da puta de um estafermo, com a namorada, e um balde de pipocas. Não, não é um balde, mas uma saca, de 12 quilos. O gajo vem, e senta-se mesmo ao lado. O filme começa. Ele começa a jogar as pipocas na boca e amassa, com a boca aberta. Srec, srec, srec. O sacana, não vai ao cinema para ver um bom filme, mas para saciar uma tara íntima de comer pipocas no escuro, com o raio da boca aberta, coisa proibida em casa, provavelmente. Eu detesto esta teoria, mas que é verdade, lá isso é. Nunca vos aconteceu?
Outra teoria: No casamento, o padre só fala em traição.
Já não sei bem qual é a formação actual dos padres portugueses católicos, mas eu, que já frequentei uma igreja, onde eram realizados muitos casamentos, posso dizer – o padre tem uma complexa e punitiva tara pelo tema da traição – na cerimónia de casamento, os padres tem a mania que nós não paramos de nos comer uns aos outros. Pode ser verdade, mas ele precisa dizer isso, justamente na hora em que pergunta se um tipo vai ser fiel, na doença e na pobreza, na tristeza e na angústia? Se isto não é patológico, então o que é?
Teoria oito e conspirativa: O Humor afinal tem ideologia, e um dia que uma boneca insuflável deixe de ter prazer, é porque lhe faltou o ar.
Do jeito em que as coisas vão, um dia destes ainda emigro para a República de Camarões, e farei uma tenaz campanha pelas Lagostas. Sim, pelas lagostas. Que sejam elas as eleitas, caprichadamente cozinhadas em água salgada e bem quentinha, para que possam assim, ganhar cor, dando assim início a uma radical e prazeirenta metamorfose gastronómica, para serem degustadas junto ao mar, em noites de lua cheia, e comidas ao som de Vangelis, em perfeita simbiose com certas espécies de moluscos, caminhando na direcção do gosto dos mais exigentes adeptos de sumptuosas orgias mariscais. Sim, porque há quem pense que um bacalhau vem directamente do mar da Noruega em forma de triângulo.
Tenho mais 45 teorias, já devidamente anotadas e comentadas, encontrando-se já plasmadas num caderninho, já um tanto ou quanto manchado, de um vinho discreto, proveniente de uvas de castas tintas tradicionais do Douro – Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca. Ficam para depois…
Agora, vou mas é ler um conto de La Fontaine.

Moral da (desta) Crónica: A crónica é uma verdadeira inconstância. Em teoria, sabemos o que poderá ser, o que não pode ser, e o que poderia vir a ser realmente.

Luís Pereira


Colaboradores:

Ilustração: Pedro Solá
Crónica: Luís Pereira
Chegadas: Aurora Ribeiro
Gatafunhos: Tomás Silva
Cinema: Fausto André
Arquitectura e Artes Plásticas: Ana Correia e Pedro Solá
Literatura: Ilídia Quadrado
Ciência e Ambiente: Cristina Carvalhinho, Dina Dowling e Filipe Moura Porteiro
Lacunas: Fernando Menezes


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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Edição nº19


Encontros de Porto Pim 09

Os Encontros de Porto Pim têm vindo gradualmente a tornar-se uma referência a nível cultural e ambiental na Ilha do Faial.

Esta iniciativa surgiu de uma parceria entre a Direção Regional do Ambiente e a Direção Regional da Cultura aquando da abertura do Museu da Fábrica da Baleia de Porto Pim com vista a divulgar e dinamizar este espaço. Assim, através da realização de diversos eventos ligados à arte, à ciência e à sensibilização ambiental, deu-se uma nova vida a uma das mais belas zonas da ilha do Faial.

A VII edição dos Encontros de Porto Pim teve inicio no dia 3 de Junho com a inauguração da exposição dos trabalhos do Projecto Maresias que contou com a presença do contador de histórias Filipe Lopes. Este projecto foi uma iniciativa da CMH que, em colaboração com o OMA e com a Ecoteca, visou a realização de acções de sensibilização ambiental junto das Escolas Básicas da ilha do Faial. Às escolas foi-lhes propôsta uma visita ao Museu da Fábrica da Baleia e a realização de trabalhos relacionados com a temática do mar e da baleação. O resultado destes trabalhos está exposto até dia 27 de Junho na sala do CIMV3000 no Centro do Mar.

Nesse mesmo dia à noite foi também inaugurada a exposição de fotografia 30 Imagens para Neruda de Roberto Santandreu. Durante a inauguração da exposição teve lugar um recital de poesia onde foram declamados poemas do poeta Chileno por Pedro Solá e Maria do Céu Brito. Esta exposição apresenta 30 fotografias de grande formato a preto e branco que decoram as paredes da Sala dos Óleos do Centro do Mar e estará patente ao público até dia 27 de Junho. (mais informações sobre esta exposição no artigo de Rui Pereira)

Entretanto teve ainda lugar um debate sobre o Mar e as Pescas nos Açores e a Mini Maratona do Ambiente, entre o Varadouro e os Capelinhos, que contou com várias dezenas de participantes.

O Cinema está também presente nos Encontros de Porto Pim ’09, com 3 dias dedicados ao Cine’Eco - Festival de Cinema e Vídeo da Serra da Estrela, Seia. Em exibição estarão 4 documentários premiados no CineEco 2008, numa mostra do que melhor se faz no campo do cinema e do audiovisual de temática ambiental. Nos dias 10, 11 e 12 de Junho, decorrerão às 21:00 as sessões com entrada gratuita, no espaço do Museu da Fábrica da Baleia de Porto Pim, no Monte da Guia. No dia 12 será projectado também um documentário dedicado ao publico juvenil, com sessões às 10 e às 14 horas.

Hoje – Quinta Feira dia 11, tem lugar no Bar do Teatro pelas 21:00 a tertulia “O Mar na Poesia de Ruy Belo”.

Dia 19 de Maio a música e a dança animam a Baía de Porto Pim. Às 19 horas terá inicio uma performance de Ballet na praia realizada pelos alunos do Conservatório da Horta, junto ao Centro do Mar. Mais tarde, pelas 23:00, a festa está a cargo dos Bandarra que garantem animação pela noite dentro na rampa da Fábrica da Baleia.

Dia 20 pelas 21:30 as portas do Museu da Fábrica da Baleia serão abertas a diversas artes performativas e plásticas. O espaço que em tempos foi o local de trabalho de dezenas de homens e onde o barulho das máquinas era insurdecedor, é o mesmo que agora, e com as mesmas máquinas, diversos artistas irão partilharar e onde se irão inspirar para criar e improvisar em conjunto.

Entre os dias 22 e 25 decorrerá um workshop de pintura “Pintar o Céu” com Margarida Alfacinha.

No dia 27, a sessão de encerramento dos Encontros de Porto Pim ’09 terá lugar no Centro do Mar e contará com uma actuação da Filarmónica Unanime Praiense.


Pedro Monteiro


Colaboradores:

Ilustração: Florimundo Soares
Crónica: Pedro Monteiro
Chegadas: Aurora Ribeiro
Gatafunhos: Tomás Silva
Teatro: Anabela Morais e Grupo de Teatro "O Dragoeiro"
Música: Daniel
Arquitectura e Artes Plásticas: Ana Correia, Florimundo Soares, Margarida Alfacinha e Rui A. Pereira
Literatura: Ilídia Quadrado
Ambiente: Dina Dowling


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sexta-feira, 29 de maio de 2009

FAZENDOBarulho #2



No seguimento da primeira ediçãodo FAZENDObarulho a Associação Cultural Fazendo planeou um novo evento com um sentido de continuidade em relação à estreia mas aumentando a aposta ao nível da programação. Uma vez que o segundo número desta rúbrica terá lugar na véspera do feriado do dia de Portugal e das Comunidades pretendeu-se criar uma festa de celebração das culturas da lusofonia, mais concretamente das ligadas ao continente Africano.
Assim o FAZENDObarulho#2 abrirá com um concerto de música cabo-verdiana por Alexandre Delgado, músico residente no Faial que no ano passado lançou o seu disco de estreia “M’ninha de S. Nicolau”. Este disco contou com a produção de Humberto Ramos, director musical ligado a artistas como Cesária Évora, Dany Silva, Tito Silva ou Maria Alice. Alexandre Delgado será acompahando por Zeca Sousa, Chico Andrade e Vìtor Lopes. A continuação da noite ficará a cargo de João Gomes, músico dos Cool Hipnoise e Spaceboys, com um DJ set que deverá passar por diversos espectros da música negra (afro-beat, funk, semba, kuduru, reaggae). No vídeo vai-se contar com uma batalha em tempo real entre os VJ’s Rui Branco e Aurora Ribeiro.

9 de Junho

23h00 Alexandre Delgado.concerto 

24h00 João Gomes (Cool Hipnoise).dj set 

           VJ’S Rui Branco vs. IlhasCook


Para mais informações clique aqui ou em baixo:


Edição nº18



O que é ser Faialense?

Pergunto-me. Eu, Fausto, filho de picarotos nascido no Porto, infância e juventude vividas no Faial e que agora, passados alguns anos, regresso.

Ser algo é sê-lo dos pés à cabeça. Os pés caminham sobre um chão, e a cabeça sob os ideais que gerem o espírito humano – a sua cultura.
Ser faialense é, em primeiro lugar, habitar um pedaço de pedra que brotou violentamente do mar hà 800 mil anos e que durante 200 mil anos foi forjado pela força ardente do centro da Terra. Esta é a força primordial. E ela está hoje aqui, e quando quer, chega e altera tudo. Da pedra veio a terra, e da terra as plantas e os animais. Depois são 500 anos de povoamento pelo homem. São séculos de sangue do povo lusitano sobre o chão desta ilha. E este sangue está aqui nas veias e comportamentos dos homens e mulheres que a habitam.

À procura de casa. Tanto dinheiro me pedem por um sítio onde viver. Pergunto-me: como sobrevivem as famílas quando todos os bens são tão caros e o que recebem é tão pouco. A ganância descontrolada faz décadas que passou a gerir as relações sociais. Há sítios - aqui bem perto - em que ainda dizem: se fores honesto, um arranja-te umas batatas, o outro uns ovos ou um pão de milho e vivendo e dançando aqui connosco não irás morrer à fome. Mas está a desaparecer este espírito de vida e verdadeira bondade.

Esta é uma terra fértil onde nasce tudo o que se semeia. Era uma terra onde se cultivava tudo o que era preciso para comer muito e bem. Mas a ilha foi convertida em pasto para vacas e a comida industrial de má qualidade substituiu a produção local. Agora o Faial está a ser convertido em pasto para turistas imaginários.
A Horta – que nome tão significativo – uma cidade de sonho, verdadeiramente de sonho, mas que vai sendo lentamente invadida pelo betão até ao golpe mais rude que já a espera – o tal porto que já fez chorar os habitantes que nada fizeram da ilha Terceira e da ilha de São Miguel. Ilusões vendidas em prol do dinheiro perante um povo sem reacção que ainda vai acreditando na lenga-lenga do desenvolvimento e do turismo salvador. Quando ironicamente quem nos vem visitar quer escapar precisamente aos portos de betão e metal, procurando a avenida mais bonita do mundo com vista para a imponente montanha e a praia da Conceição para nadar e ver o Pico, e não o paquete que lhes polui a água. Quer fugir às centenas de parques eólicos do seu país, apenas para esbarrar com um em Pedro Miguel (e em breve, se nada fôr feito, mais um para o lado Norte). Quer fugir também ao barulho das máquinas de aspirar os passeios da cidade onde se despeja herbicida e lixo. Querem ver fontanários antigos com água de fonte, querem estar longe de fontes de radiação em massa como antenas de telemóveis e sistemas wireless (em Almoxarife encontramos um num parque infantil). Querem ver a Natureza em bruto, na sua beleza e riqueza em vez de centros de interpretação, centros de tédio informático e aquários virtuais. Eles não querem isto durante um mês e nós queremos durante todo o ano? Para sempre? Estes visitantes, a quem foi vendida uma imagem de harmonia natural, não irão voltar e os faialenses irão ficar com a sua bela cidade cada vez mais cinzenta, artificial e triste.

A nossa cultura é a nossa terra. Os nossos instrumentos, a nossa chuva que nos dá água, a nossa chamarrita que nos une em roda, o nosso pão, o nosso milho, os nossos chapéus de palha, as nossas rendas e bordados, as nossas almarras, a nossa calma, o nosso silêncio, os nossos animais, as nossas terras, a nossa amizade, a nossa cultura.
“O verbo «cólere», de que deriva «cultura», exprime a idéia de «amanhar, cuidar, revolver» a terra, fertilizando-a e semeando a boa semente para que produza mais e melhor. Reporta-se pois, originariamente, ao trabalho agrícola, compreendendo tanto o cultivo do solo, quanto o cultivo dos vegetais no solo. Com o correr do tempo, o verbo «cólere», veio adquirindo outros sentidos. Às vezes significa «habitar», como a dizer que aquele que trata a terra é o que nela habita. O homem, utilizando-se dos recursos das florestas, constrói sua moradia para nela habitar. Outras vezes significa «venerar e honrar» os deuses e os amigos, equivale dizer, cultivar e dispensar especiais cuidados aos deuses para que sejam propícios no cultivo da terra; e aos amigos, os companheiros no mesmo labor. Mais tarde, sobretudo em Cícero, recebeu o sentido figurado do «trato e aprimoramento do espírito». Neste caso, o verbo «cólere» vinha sempre acompanhado do termo «animus»: cultura animi. O homem que cultiva a natureza, cultiva também a sua própria natureza. Era assim sinónimo de educação, no sentido de aprimoramento do espírito. ”

Viver no Faial e ser faialense ainda pode ser um sonho. Ou seja, a realidade de uma vida de alegria, de bem-estar, de força, de verde e de mar num pequeno paraíso da Terra.


Fausto Cardoso


Colaboradores:

Ilustração: Maria Inês Cunha
Crónica: Fausto Cardoso
Chegadas: Aurora Ribeiro
Gatafunhos: Tomás Silva
Teatro: Grupo de Teatro "Mensagem"
Arquitectura e Artes Plásticas: Ana Correia e Pedro Mota
Literatura: Ilídia Quadrado e Rita Braga
Ambiente: Dina Dowling


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quinta-feira, 14 de maio de 2009

FAZENDOtertúlia #2


Literatura e Jazz

No próximo dia 19, terça-feira, realizar-se-á a segunda tertúlia organizada pelo jornal Fazendo. Aproveita-se a passagem pela ilha do pintor/escritor Miguel Horta que virá apresentar os seus livros e manter um conversa informal com quem quiser passar pela C.A.S.A. a partir das 21h00. De seguida as lides ficarão a cargo da guitarra de Zeca Sousa e do seu trio de Jazz com Pedro Gaspar (contrabaixo) e Nélson Raposo (bateria).
Miguel Horta tem formação em pintura e é essencialmente no domínio das artes plásticas que mais trabalhos apresenta, sendo o seu percurso expositivo pontuado por presenças regulares em Portugal e na Europa. Na mediação cultural encontrou uma excelente ferramenta para a comunicação de ideias tendo já corrido o país de lés a lés com projectos na área da Promoção do Livro e da Leitura e da Educação pela Arte. Como escritor é responsável por duas publicações na área da literatura infanto-juvenil: Pinok e Baleote e Dacoli e Dacolá. O primeiro tem lugar no arquipélago de Cabo Verde e trata da história de um rapaz crioulo com fama de mentiroso, o segundo é composto por sete histórias sobre vários temas sendo todas passadas em Portugal. Estes livros, dos quais o autor é também ilustrador, serão o ponto de partida para a conversa de dia 19.
Uma vez que nessa noite não haverá cinema convidamos todos a deslocarem-se à C.A.S.A. e a participar neste serão que se quer agradável e descontraído.

A Direcção

Edição nº17


Pequenas arquitecturas esculpidas na rocha

Volker Schnüttgen esteve na Horta para a desmontagem da sua exposição Padrões do Mar, que nos últimos meses abriu janelas na Praça do Infante. Uma das quatro obras que compunham a exposição foi comprada pelo Município da Horta. E naquele jardim continua o seu diálogo com a paisagem envolvente, objectivo principal deste artista que nasceu na Alemanha, onde há pouca pedra e por isso escolheu Portugal para viver e esculpir.

Estas esculturas foram feitas para um local específico?
Elas foram feitas para um lugar na costa, isso sim. Originalmente eu tinha um projecto que era no Cabo de Sagres, na fortaleza, para fazer uma exposição com os padrões do mar. Comecei a fazer estas quatro peças e mais uma ou outra, mas o projecto nunca foi realizado. O IPAR não teve dinheiro, complicou e então ficou sem efeito. E como se trata de um espaço muito complexo, porque o Cabo de Sagres é muito histórico, muito visitado e há muitos interesses, acabou por ser cancelado. E eu fiquei com as quatro peças, muito triste, porque apesar de terem estado noutras exposições, nunca estiveram no local adequado. Tive a oportunidade de participar num projecto na Terceira e Graciosa e pus lá estas quatro peças pela primeira vez, sempre em sítios como este, perto do mar, perto da costa.

Segundo o catálogo, esta exposição vai ser exibida noutros locais e alguns deles ficam longe da costa. Como pensa enquadrá-los? Talvez na paisagem alentejana?
Sim, vão ficar de novo Padrões do Mar sem mar, e em alguns locais vão mesmo ser integradas em sítios urbanos. Mas o meu grande interesse é colocar sempre as esculturas em contexto com a paisagem.

Nesse sentido, como foi a escolha do Largo do Infante, como local de exposição para as obras?
Bom, eu recebi o convite do Museu da Horta para fazer esta exposição de quatro peças na rua. Já conhecia o Faial mas não me lembrava assim tão bem de todos os sítios. Também podia ter imaginado colocar as peças numa falésia, mas seria mais complicado ter público. E achei bonito o jardim com a fortaleza ao lado. Estas formas escultóricas têm muito a ver com fortalezas e castelos. Aqui temos de um lado o mar, do outro a fortaleza, o jardim também é bonito, e ainda esta vista fabulosa do Pico, sobretudo a que se tem do local da escultura que foi comprada.

Está muito presente esta ideia de moldura e de escadas, de passagem ou de entrada para a paisagem...
Sim, na maior parte houve essa preocupação. Por exemplo aquela escultura que estava mais do lado de lá (norte), que tinha aquela escada para baixo, estava pensada para um lugar em Sagres, onde ficaria mesmo na falésia, com a escada que depois daria continuação até ao mar. Aqui a peça não funcionou assim, funcionou só por si porque não tinha o contexto que estava planeado. Numa exposição temporária é sempre mais difícil encontrar os locais ideais.

E as esculturas que estiveram na sala de exposições da Biblioteca Pública (exposição O Avolumar do Habitat - esteve patente em conjunto com os Padrões do Mar de 8 de Janeiro a 28 de Fevereiro), em madeira, têm alguma ligação com estas esculturas de exterior?
Aquele grupo de esculturas têm uma linguagem parecida, porque a mim me interessa muito a escultura arquitectónica: estes cortes rigorosos, o contraste com a forma orgânica do tronco. E são puzzles, tal como as peças de granito que também são cortadas e depois reencaixadas. A escultura que está na capa do catálogo é feita de três blocos que vieram de um tronco e que virtualmente se conseguem encaixar novamente.

De que madeira se trata?
É choupo, uma madeira bastante macia e fresca, um pouco como o eucalipto, mas com um acabamento bonito.

Como foi a organização deste projecto?
Foi organizado pelo Museu Jorge Vieira, em Beja, cujo director artístico é o Rui Pereira. Foi ele quem escreveu o texto do catálogo. O Jorge Vieira, que já morreu, foi o escultor mais importante do modernismo português. O Museu costuma organizar exposições de escultura que depois leva a outras câmaras, sobretudo do Alentejo. Têm também criado parcerias com a Horta e penso que também com a Terceira. Fazem muito este tipo de intercâmbios.

Quais são os seus critérios na escolha dos materiais com que trabalha?
Eu gosto muito dos materiais pesados, clássicos da escultura: a madeira, a pedra, o ferro, mas também já tenho utilizado nos últimos anos a implantação de meios multimédia na escultura, com monitores vídeo. Foi um projecto muito interessante que criei com um grupo de dança, uma bailarina, um coreógrafo e um músico. Fizemos uma performance que foi projectada em tempo real dentro das esculturas, que são parecidas com estas de madeira e depois implantei o monitor nas aberturas. Foi uma experiência nova muito interessante porque aqueles troncos com que trabalhei, deixei-os bastante em bruto, estes são mais acabados, aqueles foram modelados só com a moto-serra e resultou num contraste muito interessante com o vídeo. Em vez de criar uma coisa harmoniosa, tinha um contraste, que também funcionou, curiosamente.

Quanto tempo demora fazer uma escultura destas dimensões?
É sempre difícil dizer porque elas passam por várias fases. A primeira fase é sempre a de ter a ideia, e pelo menos quando são deste tamanho ou maiores, faz-se uma maquete ou desenhos e muitas vezes também o faço virtualmente, em 3D studio-max. Essa é a primeira fase. Depois é escolher os blocos mesmo, de pedra. E eu gosto muito de trabalhar nas pedreiras. A pedra da escultura que fica cá é do Alentejo, as outras três eram de Monchique. Eu gosto muito de ir às pedreiras e partir os blocos no local. Estes cortes aqui (os mais rigorosos) são feitos com máquinas industriais, são máquinas de fio. Outra fase é encontrar fábricas industriais que façam este tipo de corte e depois na última fase faço os acabamentos, já no atelier e que, muitas vezes, são feitos à mão.

Como esta textura exterior?
Não, é por isso que eu gosto de ir às pedreiras, porque isso é o resultado de técnicas de corte antigos, com cunhas, e os blocos saem assim, ficam até com pequenas marcas, que são buracos feitos com ponteiro à mão, depois levam umas cunhas em ferro, em aço, e parte-se a pedra. Eu aproveito já estas faces assim naturais. Essa é a razão de gostar de estar mesmo na pedreira, para controlar a extracção e a forma do bloco logo desde o início.

Algumas esculturas têm a particularidade de não mostrar onde encaixam, é preciso procurar bem...
A fixação... Pois, esta era um bloco, e eu cortei-a em dois e depois fiz uma fixação e juntei a pedra na posição original, fica com esta distância (um ou dois centímetros, que fazem com que a pedra de cima pareça levitar) que é a distância real original, o que falta é resultado do corte do fio, é material gasto. Depois levou quatro espigões em inox para manter as pedras com essa distância.

Está a trabalhar noutros projectos?
Fiz agora uma escultura em granito para um empresário em Braga, que também é um pórtico, muito grande. E estou a preparar dois simpósios, um em Felgueiras, que tem um tema um pouco complicado: "S. Paulo". Fez agora dois mil anos do seu nascimento e a Igreja Católica fez o ano das comemorações de S. Paulo: houve uma parte científica e histórica sobre o assunto e em Felgueiras organizaram um simpósio de escultura sobre este tema. É interessante mas não é propriamente fácil transformar isso em escultura. Também não quis entrar num figurativo tradicional de como foi S. Paulo. Por isso estudei um pouco o tema, ele foi muito importante a espalhar o cristianismo fora do mundo judaico, portanto foi o primeiro a evangelizar o resto do mundo. Ele, que tinha sido um grande defensor da ideologia antiga, converteu-se e foi tão radical e fundamentalista quanto antes o tinha sido pelo judaísmo. Como ele tem estas influências do velho e do novo testamento, fiz um livro partido ao meio, onde vai levar um vidro que é o corte na vida dele e também o corte entre o mundo judaico e o mundo cristão. E o outro simpósio, é em Vila Nova de Gaia, onde vou fazer uma peça um pouco parecida com estas, em mármore. Lá cada escultor tem 3 blocos de 1 x 1 x 1m, e essas limitações é que fazem o tema do simpósio. Por isso vai resultar numa escultura um pouco maior, com encaixes também ...

Em Portugal há boa pedra?Sim, foi a razão da minha vinda para cá, vim através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, num desses intercâmbios académicos. Na Alemanha temos muito pouca pedra, eu conheci artistas em Lisboa e escolhi um sítio, Pêro Pinheiro, perto de Sintra, que tem um centro de transformação do mármore e continuo a ter lá o atelier. Tenho todas as infra-estruturas, estou perto da capital, Lisboa, que é uma cidade da qual gosto muito... a princípio a ideia era ficar só um ano e depois vir de vez em quando só fazer alguns projectos, mas acabei por ficar cá. É viciante... Estou cá há quase 18 anos. E aqui este sítio é ainda mais viciante. Se pudesse viver do meu trabalho aqui, se calhar vivia nos Açores.

 O meu trabalho escultórico dos últimos anos está caracterizado por uma geometria simples mas com rigor e um alto grau de abstracção. Os temas iconográficos são pórticos, estelas com aberturas como janelas, são padrões de granito, pequenas arquitecturas esculpidas na rocha.


Aurora Ribeiro



Colaboradores:

Ilustração: Margarida de Bem Madruga
Entrevista: Aurora Ribeiro
Gatafunhos: Tomás Silva
Música: Pedro Nuvem
Arquitectura e Artes Plásticas: Ana Correia e Graça Tomé
Literatura: Flávio Gonçalves e Ilídia Quadrado
Ambiente: Dina Dowling


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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Edição nº16



XVIº Encontros Filosóficos (até 14 de Maio)

Depois da abertura oficial dos XVIº Encontros Filosóficos e das palestras proferidas pela Professora Arminda Pedrosa, ainda poderemos desfrutar dos seguintes convidados e temas:
- Eduardo Gomes Guimarães, licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e profissionalizado em Serviço pelo C.I.F.O.P. da Universidade da Madeira. Exerceu diversas profissões, é formador do Ensino Secundário, da Escola Básica, Integrada e Secundária da Calheta. Foi responsável pela criação das disciplinas de Sociologia e Psicologia no Liceu Nacional de S. Tomé e concebeu os programas das referidas disciplinas. Exerce, desde 2003, funções de Director da Ecoteca de S. Jorge, sendo responsável pela concepção e operacionalização da instalação do Ecomuseu da Ilha de São Jorge. Tem experiência na implementação de projectos de desenvolvimento comunitário em Portugal e em São Tomé e Príncipe. Ultimamente tem proferido diversas comunicações sobre património, turismo e desenvolvimento. O Dr. Eduardo Guimarães, virá reflectir connosco sobre algumas questões éticas no âmbito do património e turismo, no dia 5 de Maio, pelas 21h, no auditório da Escola Secundária Manuel de Arriaga,

- João Joanaz de Melo é licenciado e doutorado em Engenharia do Ambiente e agregado em Sistemas Ambientais, pela Universidade Nova de Lisboa (UNL). É professor no Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente, Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL, onde desenvolve actividades de ensino, investigação e consultoria, em domínios como gestão ambiental, eco-design, avaliação de impactes ambientais, eficiência energética e instrumentos económicos no ordenamento do território. É autor do livro de divulgação científica “O que é Ecologia” e de centena e meia de artigos publicados em conferências, livros e revistas científicas. Amante da Natureza desde sempre, nas horas vagas continua a colaborar como voluntário em actividades ambientalistas (principalmente no GEOTA), e a praticar espeleologia. O Doutor João Joanaz de Melo, virá proferir uma palestra, no dia 8 de Maio, pelas 21h, no auditório da Escola Secundária Manuel de Arriaga, sobre Energia e Desenvolvimento Sustentável. A pedido da organização dos “Encontros”, este investigador, dará especial destaque às questões da energia nuclear (prós e contras e investigação versus economia e politica). A não perder!

- Filipe Duarte Santos, é professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, presidente do Departamento de Física e rege disciplinas nas áreas da Física, Ambiente e Alterações Globais.
Professor convidado em várias Universidades dos Estados Unidos da América e da Europa. Integra desde 1998 o Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável e é membro efectivo da Academia das Ciências de Lisboa. É membro da Comissão Nacional para as Alterações Climáticas. Publicou cerca de 120 artigos científicos em revistas internacionais com sistema de arbitragem em várias áreas do Ambiente, Física e Astrofísica. Coordenou a elaboração do primeiro e único Livro Branco sobre o Estado do Ambiente em Portugal, publicado em 1991. Proferiu mais de duas centenas de palestras convidadas em Portugal e no estrangeiro. Coordena e participa em vários projectos nacionais e internacionais nas áreas do ambiente e alterações globais. Presentemente é investigador coordenador do Projecto SIAM – “Climate Change in Portugal. Scenarios, Impacts and Adaptation Measures”. O Professor Filipe Duarte Santos, vem partilhar connosco, no dia 9 de Maio, pelas 21h, no auditório da Escola Secundária Manuel de Arriaga, os seus estudos, conclusões e percepções sobre o Futuro da Humanidade no que diz respeito ao Ambiente e ao Desenvolvimento Sustentável da(s) nossa(s) sociedade(s). A não perder!

Estes convidados, não vêm falar de coisas filosoficamente distantes, mas de temas prementes e urgentes no nosso quotidiano, nomeadamente, em Responsabilidade Social, em Educação, em Ambiente e em Sustentabilidade e Desenvolvimento. Os Encontros Filosóficos são para todos! A não perder!

Cristina Carvalhinho



Colaboradores:

Ilustração: Leonor Rodrigues Pó
Crónica: Cristina Carvalhino
Chegadas: Aurora Ribeiro
Gatafunhos: Tomás Silva
Cinema e Teatro: Miguel Machete
Música: Luís Bettencourt
Arquitectura e Artes Plásticas: Ana Correia e Pedro Monteiro
Ambiente: Dina Dowling, Márcia Dutra Pinto e Raul Bettencourt


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FazendoBarulho I



No próximo dia 2 de Maio vai-se dar início a uma nova rubrica do Fazendo: FAZENDObarulho. O conceito deste evento prende-se com a realização de actividades de animação nocturna com uma oferta diferente e dedicados sobretudo ao som e à música.
Na sua primeira edição esta rúbrica contará com uma performance de música/vídeo/palavra intitulada Psicho Chicken’s. Esta performance, que tem como tema central a Galinha e a sua influência na cultura pop, é baseada num texto do livro “Sífilis versus Bilitis” de Rui Reininho e será interpretada por João Patrício (textos/performance) e João Morais (sonoplastia, efeitos e guitarras). Com uma abordagem diferente dessa mesma cultura pop seguir-se-à um set de DJ por Single Again onde o único suporte autorizado para a reprodução de som são os antigos vinis de 45 rpm. Nesta segunda parte John Morales será responsável pelo VJing.
O FAZENDObarulho I terá lugar no Centro Botânico do Faial, junto à variante da Feteira, e começará pelas 24h00. As entradas terão um custo simbólico de 1,5€.

2 deMaio, Sábado
Parque Botânico
24h00. Performance Psico Chicken’s
01h00. DJ Single Again / VJ John Morales

Para mais informações clique aqui ou em baixo: