sexta-feira, 4 de junho de 2010

Fazendo emprego


O Fazendo, a maior inovação na área de new media-folclore que o mundo viu nascer num passado recente, procura um novo membro para integrar a sua equipa:

  • Indivíduo jovem, inteligente, sensual, trabalhador, com sentido de humor e com um interesse genérico em artes, ciência, literatura, media e semelhantes formas de fazer pão.
  • Capacidade de auto-monitorização (como os carros) e interesse em obter resultados (como os carros também).
  • Capacidades de escrita que metam inveja ao Gonçalo M. Tavares.
  • Capacidades orais que ponham um ligeiro rubor na bochecha do José Rodrigues dos Santos.
  • Disponibilidade para passar uns tempos fora de casa.
  • Nem hippie nem yuppie.
  • Ecologista sem militância.
  • Do tipo Pro: pro-trabalho, pro-esforço, pro-didacta, pro-activo e com vontade de ser profissional.
  • Pro-eficiente em utilitários informáticos (processadores de texto, folhas de cálculo, networking, skype...) e com escritório próprio (isto é, um laptop).
  • Formação em qualquer coisa como marketing, comunicação ou jornalismo, e algum conhecimento da realidade Açoriana dão direito a um smiley com caneta verde no canto da folha.
  • Ao primeiro dia do mês de novembro do ano de dois mil e dez o índividuo tem de ser "candidatável" ao programa açoriano Estagiar T/L (a capacidade de interpretar palavras inventadas à pressão como neologismos é também importante)

A este/a jovem ser-lhe-à incumbida uma missão da maior importância no que a salvar o mundo diz respeito.
A partilha de interesse genuíno no projecto não é essencial mas a sua ausência dá direito a exclusão automática.

Cartinha electrónica com CV e apresentação simpática para vai.se.fazendo@gmail.com até 01/10/10.

Edição nº 40



Crónica

Ao abrir Baleia! Os baleeiros dos Açores, dei-me conta que, tal como para José Henrique Azevedo, a minha relação com este livro é uma história de família, pois que as histórias de baleação, o primeiro contacto com livros como os de Robert Clarke e até o conhecer do nome de Bernard Venables se fizeram pela mão do meu avô paterno.
À adolescência alimentada pelos sonhos do mundo marinho do capitão Nemo, de Júlio Verne (povoado de imensos monstros entrevistos pelas vigias do Nautilus que se descobriam depois simples seres dos mares), pela admiração da coragem, eivada de loucura, do capitão Achab de Melville ou pelos baleeiros de Vitorino Nemésio e Dias de Melo, juntavam-se um sem número de histórias que o meu avô evocava, fotografias desbotadas e livros que me adivinhavam uma vocação não realizada.

Paralelamente, na altura, a militância pelos direitos dos animais parecia-me respeitada pela desigualdade evidente da luta entre o homem, na sua pequenez absoluta, e o esplêndido animal, imenso de força e astúcia. Não que essa desigualdade redimisse a violência mas, quando comparada com a baleação industrial, parecia que aqui se deixava sempre uma hipótese ao animal, que não poucas vezes a aproveitava, semeando medo e morte, construindo uma epopeia em cada uma dessas saídas para o mar.

Nascida numa altura em que chegar ao Faial não passava por mais dificuldades do que embarcar num avião, pelas palavras de Venables dei comigo a deliciar-me com a ideia de que antes essa viagem tinha uma série de escolhos que permitia aos viajantes darem-se verdadeiramente conta das distâncias e das diferenças entre o sítio de onde saíam e o sítio onde chegavam, como se tal como ele viesse por mar, a bordo do Espírito Santo.

A memória é sempre um caleidoscópio construído, onde misturamos as nossas próprias vivências e o que nos foi contado mas, para quase todos os que aqui vivem, não será difícil identificar imediatamente os lugares e as personagens que Venables evoca, o João do Talho (uma viela estreita que dava lugar ao rescender dos cozinhados e o feitio severo que decidia por cada cliente, como se não fosse um restaurante mas antes alguém que abria a porta da sua casa), o café Sport (não a versão actual mas o pequeno reduto em que se vendia tudo e mais alguma coisa, embora já estivesse numa posição privilegiada, de frente para o porto, uma vigia do pulsar da própria ilha, das idas e vindas, mais do que um café, um fornecedor, aquele que satisfazia todas as necessidades dos que chegavam, lugar de partilha de histórias contadas um sem número de vezes, como se o tempo ali ficasse suspenso), o porto e as suas inúmeras embarcações.
O que talvez, pelo menos para os mais novos, será menos óbvio recordar são todas as descrições que se referem efectivamente à baleação.

Os baleeiros que Venables encontrou já não eram os que tinham conhecido os navios de New Bedford e de Nantucket (cujas descrições o levaram a interessar-se pelos Açores) mas continuavam a usar os mesmos termos técnicos que tiveram a sua origem na corrupção fonética dos termos ingleses (como o célebre blós), embora tivessem uma motivação bem diferente destes.

Nos Açores, independentemente da rivalidade entre as companhias e apesar do valor económico que a baleação tinha, o essencial estava na luta com o gigante, no desafiar o mar e o vento (na infância, a reprodução minuciosa de um bote baleeiro sempre me tinha fascinado, parecia tudo tão frágil e quando a embarcação se tornava verdadeira no cais, mais frágil ainda, como se podia crer que ali iam sete homens, mar afora, sem uma protecção digna desse nome?).

Nas palavras de Venables reencontro inevitavelmente as palavras do meu avô, a descrição do homem solitário que na vigia perscruta o horizonte em busca de um sopro, o grito “Baleia!” e a Walkiria que atravessa a doca, entra no canal rumo ao mar aberto, arrastando os homens para o perigo de morte (Venables teve aliás de assinar uma “Certidão de óbito” – um documento em que assumia que partia por sua conta e risco – para poder acompanhar os baleeiros). Mas, para aqueles que nada de pessoal liga a esta época, o interesse não se perde pois Venables descreve minuciosamente os instrumentos e os gestos dos homens, de tal modo que parece que o leitor, também ele, está no bote, segue os gestos do trancador, sofre em cada remo que desce e corta a onda, os músculos retesados num mesmo ritmo, anseia por uma morte que parece não vir.

Sem contemplações, com uma frieza descritiva, o relato que faz da caçada não lhe retira a violência nem esquece o sofrimento do animal, mas debruça-se inequivocamente sobre os gestos de cada homem, sobre as histórias contadas de acidentes e horríveis naufrágios, uma baleia que não se tranca ou que se perde no rebocar, esforço vão, relembra a “arena de sangue” em que o cachalote agoniza, o ciclo sem piedade de uma Natureza que molda o próprio homem.

Além disso, Venables debruça-se também sobre o que se segue à caçada, o reboque para a fábrica (e em Porto Pim esta ainda é um marco do passado, renovado agora numa nova vida, como se repetíssemos na pedra o eterno ciclo da vida), o “desmanchar” da baleia, o “scrimshaw” e as festas à senhora da Guia, os baleeiros que abandonavam as idas ao mar mas a quem o ribombar do “bombão” ou o grito de “Baleia!” atordoavam os sentidos, desenhando uma comunidade onde a baleação teve uma influência durável.

Graças a Venables, a memória é um livro reaberto, é novamente uma mão estendida mostrando a imensidão de areia dos Capelinhos, desenhando um rastro de espuma no mar, a voz do avô contando casos que tinham acontecido nos dezoito anos em que também ele vivia ao ritmo ditado pelos homens das vigias, as rivalidades com os homens do Pico, são os objectos que emergiam de uma loja atulhada, coisas herdadas de um tempo já esquecido.

Catarina Azevedo



Colaboradores:


Capa: Pedro Monteiro
Música: Zeca Medeiros
Cinema e Teatro:
Aurora Ribeiro, Fernando Nunes
Arquitectura e Artes Plásticas: Ana Correia, CMH
Ciência e Ambiente: Lia Goulart

Gatafunhos: Tomás Silva

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Edição nº 39 + Suplementando #1





Editorial

"Fazes?” foi o nome dado ao primeiro concurso intra-alunos da Escola Secundária Manuel de Arriaga (ESMA) para a elaboração de um trabalho gráfico e de um artigo em formato de crónica a serem publicados no Fazendo.
Foi com imenso prazer e satisfação que recebemos uma mão cheia de pinturas e desenhos de alunos desde o 7º ao 12º ano, e com um ligeiro sentido de desapontamento perante a total ausência de textos.
Queremos dar os parabéns a todos os concorrentes pela excelente participação, que surpreendeu em muito pela variedade de expressões plásticas – desenho, pintura, colagem, vinheta ou até caricatura política – e que traduz uma verdadeira manifestação de criatividade por parte dos alunos. No entanto, ficamos com um leve pesar por não termos conseguido despertar a criatividade e o desenvolvimento de uma opinião pessoal em todos os alunos com inclinação para a escrita.
Em relação ao concurso para o melhor trabalho gráfico, o júri constítuido por Eugénio Leal, em representação do conselho directivo da ESMA, Ana Correira, em representação dos professores de artes da ESMA, Luís Menezes, em representação da secção de Artes Plásticas do jornal Fazendo, e pela direcção do Fazendo, decidiu atribuir o prémio ao trabalho de Pedro Valim da turma C do 12ºano, o qual foi publicado como capa do jornal nesta edição. Decidmos também atribuir a menção honrosa Fazendo ao desenho de Joana Silva da turma C do 11ºano (ao lado) pelo seu excelente sentido crítico e relevância no contexto local.
Agradecemos a todos os alunos que participaram e incentivamos a que continuem fazendo.

A Direcção



Colaboradores:


Capa: "O Pão feito acaba sempre por ser comido", de Pedro Valim
Entrevista: Pedro Rosa

Música: Miguel Machete
Cinema e Teatro:
Aurora Ribeiro, Fausto Cardoso
Arquitectura e Artes Plásticas: Aurora Ribeiro, Fernando Nunes

Literatura: Miguel Horta
Ciência e Ambiente: Parque Natural do Faial

Contracapa: Miguel Horta

Suplementando: Carlos Lobão, Padre António Saldanha, Victor Rui Dores

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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Edição nº 38


Crónica

Foi já no longínquo ano de 1991, e na qualidade de Director da extinta Casa de Cultura da Horta, que tive a honra de dar os primeiros passos, logo apoiados pela direcção do Núcleo Cultural da Horta, para, em parceria, lançarmos um colóquio dedicado à investigação histórica sobre os Açores. Não se pretendia organizar mais um evento que concorresse com outros que até então se promoviam, mas, antes, dar corpo a um projecto que essencialmente contribuísse para estimular a investigação, o debate e a divulgação de temas de natureza histórica que incidissem, essencialmente, sobre as ilhas de Santa Maria, Graciosa, S. Jorge, Pico, Faial, Flores e Corvo, aquelas que, por serem mais periféricas no longo processo da História dos Açores, tinham (e têm) sido objecto de menos estudos.
Pela mão da Casa de Cultura da Horta e do Núcleo Cultural da Horta nasceu assim o Colóquio “O Faial e a Periferia Açoriana nos séculos XV a XX”, cuja primeira edição teve lugar nas ilhas do Faial e do Pico em 1993.
O sucesso do Colóquio e a oportunidade e especificidade da sua temática exigiram a sua continuidade. Em 1997, realizou--se nas ilhas do Faial e de S. Jorge; em 2002, nas ilhas do Faial e das Flores e em 2006 no Faial e no Pico.
Assim, a quinta edição do Colóquio terá lugar novamente nas ilhas do Faial e de S. Jorge, de 17 a 20 de Maio próximo.
Em relação às primeiras edições, permanece na organização o Núcleo Cultural da Horta e ao projecto agregaram-se, desde há duas edições, a Câmara Municipal da Horta e a Coordenação no Faial da Direcção Regional da Cultura, numa feliz cooperação que viabiliza a iniciativa. Este ano, foram também decisivos os contributos do Centro de História de Além-Mar (CHAM) e da Santa Casa da Misericórdia das Velas, que lidera a organização do evento em S. Jorge.
Estão inscritos na edição deste ano do Colóquio, quarenta e cinco conferencistas que abordarão as seguintes temáticas: A República e o governo das ilhas (1910-2010); As dinâmicas do povoamento e a criação dos municípios: no V centenário do concelho do Topo – S. Jorge (1510-2010); Sociedade, Comportamentos e Quotidianos; Agricultura, Comércio e Indústria; População, Emigração e Diáspora; Religião, Poderes e Instituições; Cultura, Artes e Património.
O Colóquio terá lugar a 17 e 18 de Maio na Sala de Conferências do Hotel Fayal e a 19 e 20 em S. Jorge, nas Velas e no Topo, sendo as sessões abertas a todos os que nelas queiram participar.
A Conferência de Abertura do Colóquio será proferida pelo Prof. Dr. Sérgio Campos de Matos e intitula-se “Manuel de Arriaga e o republicanismo, antes e depois do 5 de Outubro”, enquanto a Conferência de Encerramento caberá ao Prof. Dr. Avelino Meneses, e intitula-se “A extensão do povoamento e a criação dos municípios”.
Ao fim deste percurso, sinto, com orgulho, que o Colóquio “O Faial e a Periferia Açoriana nos Séculos XV a XX” conseguiu regularidade, conseguiu firmar a sua identidade, conseguir manter a sua especificidade e conseguiu ver as suas Actas (com os textos das comunicações) publicadas e à disposição de todos os interessados.
Por isso, estão de parabéns as entidades que suportam e viabilizam este evento: o Colóquio “O Faial e a Periferia Açoriana nos séculos XV a XX” é bem merecedor desse apoio.

Jorge Costa Pereira



Colaboradores:

Capa: Escultura de João Pedro Rodrigues
Crónica: Jorge Costa Pereira
Cinema e Teatro:
Cátia Cunha, Pedro Lima e Susana Pereira- ESMA, Fernando Nunes
Arquitectura e Artes Plásticas: Ana Correia, Pedro Rosa, Turma de Artes Visuais do 12ºC
Ciência e Ambiente: Parque Natural do Faial

Gatafunhos: Tomás Silva



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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Edição nº 37




Crónica

A Escola Secundária Manuel de Arriaga vai promover, mais uma vez, um projecto já com tradição na cidade da Horta: os Encontros Filosóficos.
Este evento anual, já com 17 anos de existência ininterrupta, visa promover dinâmicas de reflexão e debate sobre diversos temas da actualidade, com significado para a Escola e para a Comunidade, mas também proporcionar o alargamento da informação relativamente a esses temas.
Nos últimos anos, os Encontros Filosóficos trouxeram à cidade da Horta intelectuais, artistas, escritores, cientistas, promovendo debates de inegável interesse, actualidade e pertinência. Este ano, e no sentido de dar mais um contributo para a missão do Projecto Educativo de Escola que se encontra no último ano de execução, a temática dos XVIIº Encontros Filosóficos é “Inovação em Educação”.
Sendo um ano de balanço em termos de consecução dos objectivos estratégicos do último triénio, é também um ano em que se pensará e conceberá o próximo Projecto Educativo de Escola. Por outro lado, o Sistema Educativo Regional encontra-se numa fase de regionalização do currículo e de promoção de dinâmicas de elaboração de recursos pedagógicos “inovadores”. Reconhecendo que estas matérias interessam a professores, educadores e cidadãos em geral, não poderíamos deixar de promover uma reflexão conjunta (Escola e Comunidade) sobre a Escola que temos e a Escola que queremos no futuro e de que forma é que a Inovação em Educação nos ajudará a enfrentar desafios.

O termo Inovação em Educação, nem sempre é utilizado na sua acepção mais correcta. Muitas vezes é utilizado como sinónimo de mudança, ou de renovação ou de reforma, sem contudo se tratarem de realidades idênticas (já para não falar nas confusões associado a inovações tecnológicas utilizadas, eventualmente, em contextos educativos!). Segundo Cardoso (1992), inovação pode corresponder a uma mudança, mas não a uma mudança qualquer. Esta, deve ter um carácter intencional, distinguindo-se das mudanças produzidas pela evolução “natural” do sistema. A Inovação em Educação é, pois, uma mudança deliberada e conscientemente assumida, visando uma melhoria da acção educativa. A inovação pedagógica traz algo de “novo”, ou seja, algo ainda não estreado; é uma mudança, mas intencional e bem evidente; exige um esforço deliberado e conscientemente assumido; requer uma acção persistente; tenciona melhorar a prática educativa; o seu processo deve poder ser avaliado; e para se poder constituir e desenvolver, requer componentes integrados de pensamento e de acção (Cardoso, 1992).
Apesar da consciência que, de uma forma geral, todos parecem ter da inovação como uma das exigências prioritárias para dar resposta às dificuldades encontradas, é surpreendente constatar a lenta transformação dos sistemas educativos. Em pleno século XXI, as escolas persistem em continuar enquadradas por um modelo escolar tradicional que teve a sua razão de ser há alguns séculos atrás, que se adapta mais a um mundo estático do que a um mundo em mudança. Com a perspectiva de estimular dinâmicas inovadoras no processo Ensino Aprendizagem, propomos um debate sobre as políticas curriculares regionais, nacionais e internacionais, sobre a lógica da reforma regional versus a lógica da inovação curricular e o papel dos professores face ao currículo. Pretendemos, também, trazer para a participação neste projecto, pessoas com experiências diversas no âmbito da investigação-acção. Assim, contaremos com a presença de colegas que vêm partilhar trabalho desenvolvidas com alunos e a sua forma de estar na profissão utilizando a investigação-acção como estratégia de inovação curricular, bem como colegas que vêm dar o seu testemunho sobre a criação e desenvolvimento de projectos de intercâmbios locais e transnacionais e estratégias para aquisição de parcerias através do Programa COMENIUS.
O que eu acho mais interessante, é que estes temas, que parecem mais específicos para os profissionais em educação, não deixam de ser interessantes para toda a comunidade e que, no âmbito deste projecto, pode participar activamente no debate!
Na próxima edição, apresentaremos o programa. O
CARDOSO, A. P., (1992), As atitudes dos professores e a inovação pedagógica, Revista Portuguesa de Pedagogia, Ano XXVI, nº185- 99.
PEE, (2007), Projecto Educativo de Escola, Escola Secundária Manuel de Arriaga. http://srec.azores.gov.pt/dre/sd/115171010401/doc_pee.htm

Cristina Carvalhinho


Colaboradores:

Capa: Mark Faria
Crónica: Cristina Carvalhinho
Cinema e Teatro:
Aurora Ribeiro, Miguel Machete- Teatro de Giz, Victor Rui Dores
Arquitectura e Artes Plásticas: Ana Correia, Associação Burra de Milho, Miguel Valente
Ciência e Ambiente: Parque Natural do Faial

Gatafunhos: Tomás Silva



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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Edição nº36





Entrevista


Genuíno Madruga

Já deu duas voltas ao mundo. Encontrou algum lugar onde achasse que as pessoas fossem especialmente felizes ou satisfeitas com a vida?
Esta pergunta é muito subjectiva, há gente boa e má em toda a parte do mundo. Mas nas ilhas da Polinésia, nomeadamente nas Ilhas Marquesas, a forma de vida daquelas gentes tem pouco a ver com esta daqui dos chamados países ocidentais. E perguntamo-nos afinal o que é civilização? É a nossa, que está dando cabo disto tudo, do clima? Esta civilização do plástico e das latas de coca-cola, da droga, assaltos a bancos e bombas? Nessas pequenas ilhas do Pacífico e do Índico não precisam de polícias. A maior parte delas está livre de drogas porque têm os seus próprios meios de resolver esses problemas. Melhor do que tudo: não há gente miserável como há nos países ocidentais e lá há uma forte e importante ligação com a Terra e com o Mar.

O que é que podia ser feito para que aqui também houvesse uma maior ligação com a Terra e com o Mar?
A Horta é um dos maiores portos do mundo em movimento de iates, mas as pessoas limitam-se a vê-los passar. Mesmo assim já vai havendo um maior número de pessoal com barcos, mas a ligação da Horta com o Mar está principalmente relacionada com a passagem dos estrangeiros, o que eu não compreendo. Só para dar um exemplo, nas Ilhas Marquesas há um dia por semana, a sexta-feira, em que todas as crianças da escola vão aprender a nadar, remar, andar à vela, para além de que nos outros dias à tarde vão todos para o mar, com as suas canoas, etc. A formação básica escolar já traz disciplinas sobre o estudo do mar. Aqui vivemos practicamente de costas voltadas para o mar, apesar de que, nos últimos anos, mesmo assim, houve alguma melhoria. Fundamentalmente a mudança na mentalidade tem que passar pela escola, o ensino têm que estar inserido na nossa realidade: pouca terra, mar e turismo. Porque carga de água é que têm que vir estrangeiros trabalhar para esses ferry boats? Porque carga de água é que quem vai para o mar é quem não sabe ler nem escrever?
Houve recentemente um debate no Parlamento onde se defendeu a construção de uma escola de pescadores nos Açores. Mas como é que isso iria ser feito? E onde? Em São Miguel? Ir estudar para São Miguel exige quase o mesmo esforço do que ir estudar para Lisboa. Eu, por exemplo, estudei em Lisboa. Criar uma escola dessas implicaria custos enormes. Em vez disso porque não implementar-se logo de princípio os ensinamentos básicos sobre o mar, com o intuito de incentivar a rapaziada a gostar e os entusiasmasse então a ir estudar para fora?

Na sua função, como é que contribui para melhorar o nosso futuro?
Falando de coisas práticas, dando exemplo de vida, utilizando os conhecimentos das duas viagens de circum-navegação que realizei, palestrando aos alunos das escolas, tanto os maiores como os pequeninos. Não faço mais porque não tenho oportunidade de o fazer, sou pescador, vivo no mar, nem sempre tenho tempo em terra disponível, mas atendo todos que vão conversar comigo. E estes são temas que a rapaziada gosta muito. O importante é lançar as sementes. Contar-lhes sobre o primeiro barco que tive, construí-o com 12 anos, era uma chata com 2,60m, incentivá-los a realizar seus sonhos, não só dar a volta ao mundo, mas estudar, comprar uma casa, formar-se numa profissão, etc.

Estamos melhor hoje que antes?
Claro que sim, falando da pesca, apesar de todos os problemas que vão condicionando o nosso futuro na pesca, vive-se melhor do mar. A segurança é maior, as condições de vida a bordo são melhores. Mas também é facto que não há muito tempo quem vivia do mar tinha alguma qualidade de vida, o que hoje já não é bem verdade. O futuro é também uma incógnita muito grande e as consequências já aí estão. Na exploração do nosso mar há stocks em ruptura: espécies demersais como o goraz, a boca negra e em muito pouco também o cherne. Mas ainda se continua a aumentar o esforço de pesca!!! Os rendimentos estão a diminuir e os custos, como o combustível, a manutenção dos barcos, os aparelhos, entre outros, continuam a aumentar. Cada vez se ganha menos e vêm a caminho sérios problemas sociais.

Aurora Ribeiro





Colaboradores:

Capa: Gil Teixeira Lopes
Entrevista: Aurora Ribeiro
Cinema e Teatro: Tiago Vouga- Teatro de Giz
Arquitectura e Artes Plásticas: Filipe M. Porteiro
Ciência e Ambiente: Parque Natural do Faial, Cláudia Ávila Gomes

Gatafunhos: Tomás Silva

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sexta-feira, 26 de março de 2010

Edição nº35



Centro de Artes do Faial

Quanto mais o tempo passa mais se torna evidente que o Faial é um espaço criativo em ebulição permanente. Muitos factores concorrem para este facto, uns deles óbvios, outros menos. É sabido que nas famílias Faialenses ancestrais, por exemplo, havia sempre um ou mais membros que tocavam um instrumento musical, e isso foi passando de geração em geração. Algumas famílias pareciam verdadeiros grupos musicais. A avozinha no piano, o pai no trompete, o filho na guitarra, a mãe a cantar… Sem nenhuma certeza estatística real, sinto instintivamente que esta ilha tem a maior percentagem de pessoas ligadas à música em termos nacionais, relativamente à totalidade da população. Ainda hoje, em quase todas as famílias há quem toque um instrumento.

Para este facto também muito contribuem as filarmónicas, os grupos de cantares, os ranchos folclóricos, o conservatório, e até o iatismo, as antigas colónias dos cabos submarinos, e os milhares de visitantes forasteiros que desde sempre nos visitam, acabando alguns por permanecer meses ou mesmo anos, e por fim as pessoas que sendo de fora, decidem ficar por opção. Mas não é só na música que se sente o pulsar deste povo. É na criação artística de uma forma geral. É na pintura, no artesanato, na literatura, no cinema, no teatro. É no que se vê feito, nos que mostram o seu trabalho nas escolas, nas associações, em exposições individuais, nos palcos, mas também na arte que está reprimida, que não sai de casa, e dos criadores que fazem do seu quarto o seu laboratório de ideias e centro de exposições privado, e que por receio ou falta de condições ou estímulos, não partilham a sua criatividade com os outros.

Mas então perante isto o que é que nos faz falta? Será um aquário virtual? Será uma zona de lojas no futuro cais de passageiros? Será um pavilhão multiusos? Não me parece. O que nos faz falta é um Centro de Artes. O famoso centro de artes de que já se fala há uns tempos. Um local onde os grupos de música e teatro possam ter um espaço de ensaio devidamente preparado e seguro, salas onde artistas plásticos possam criar e expor o seu trabalho, onde se possam fazer tertúlias literárias, onde se possa discutir cinema, onde possa renascer a arte popular, onde se possam dar concertos, e acima de tudo, onde possa haver um intercâmbio de artistas, partilhar ideias, discutir conceitos, de uma forma livre e aberta a toda a população local e visitantes.

Tenho conhecimento que já há algum tempo (desde o mandato anterior) que a Câmara Municipal da Horta está empenhada em providenciar um espaço que reúna estas características, o que é um óptimo indicador para todos os que de certa forma estão ligados ao mundo artístico, e inevitavelmente acabará por acontecer. Mas é sempre importante sublinhar esta necessidade para que não fique esquecida, e para que seja encarada como uma efectiva necessidade e não um capricho ou um luxo. Apostar no património cultural e intelectual torna-nos uma sociedade mais evoluída, mais preparada para receber quem nos visita, e sobretudo mais feliz intrinsecamente.

Afinal, temos de fazer alguma coisa para contrariar este cinzento do tempo que teima em nos acinzentar a alma.


Fausto




Colaboradores:

Capa: Paulo Henrique Silva
Crónica: Fausto
Música: Aurora Ribeiro
Cinema e Teatro: Tiago Vouga- Teatro de Giz
Arquitectura e Artes Plásticas: Ana Correia
Ciência e Ambiente: Parque Natural do Faial, Verónica Neves

Gatafunhos: Tomás Silva

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quarta-feira, 24 de março de 2010

Concurso Fazendo - Escola Secundária Manuel de Arriaga


1. O Fazendo está a promover um concurso para os alunos da
Escola Secundária Manuel de Arriaga.

2. Podem participar no concurso todos os alunos dessa escola,
independentemente da idade ou ano que frequentem.

3. Existem duas modalidades a concurso:
3.1 Ilustração para a Capa
3.2 Crónica para a segunda página do Jornal Fazendo

4. Cada concorrente poderá apresentar um máximo de dois
trabalhos, independentemente da modalidade.

5. Os trabalhos a apresentar devem cumprir as seguintes
normas:
5.1 Ilustração para Capa
Tema: livre
Técnica: livre (ilustração, fotografia, pintura, desenho, arte digital, colagem, etc)
Dimensões: tamanho único aceite: 28,5 x 38 cm. No caso de trabalhos em formato digital, para além das dimensões estipuladas o ficheiro deve apresentar uma resolução de 300 dpi.
Cor: são aceites trabalhos a preto e branco e a cores.

5.2 Crónica
Tema: livre
Género: Crónica - entende-se por crónica um texto que, não sendo uma notícia, é escrito para ser publicado num jornal. Numa crónica, mais do que relatar factos, analisam-se situações comuns e actuais apresentando uma visão pessoal.
Dimensões: até 6000 caracteres, incluindo espaços.
5.3 Só serão aceites trabalhos originais e inéditos.
Todos os trabalhos devem trazer a identificação do autor, o
ano e a turma a que pertencem.

6. A NOVA data limite de entrega dos trabalhos é dia 30/04/2010

7. Como entregar: Os trabalhos que não estejam num suporte digital devem ser entregues na reprografia da Escola. As ilustrações em formato digital e os textos para a Crónica devem ser enviados para o endereço electrónico do Jornal (vai.se.fazendo@gmail.com).

8. Prémios: Para cada uma das modalidades haverá um vencedor que verá a sua obra publicada numa edição do jornal Fazendo. Como prémio receberá ainda um vale de 50 euros em compras
na papelaria/tipografia Telégrapho.

9. A decisão do júri será mantida em segredo até à saída do Jornal que publicará as obras dos premiados, assim anunciando os vencedores do concurso.

10. Direitos de publicação. As obras premiadas ficarão na posse da Associação Cultural Fazendo. Ao concorrer, todos os autores estão a autorizar a Associação Cultural Fazendo a reproduzir as suas obras e a utilizá-las em publicações ou eventos futuros.

11. Devolução dos trabalhos não premiados. Os trabalhos não premiados podem ser recolhidos pelos autores na reprografia da escola, a partir de uma semana após a divulgação dos premiados. Esta cláusula não se aplica a trabalhos entregues em formato digital.

12. O júri terá a seguinte composição:
a) Um representante da Direcção do Jornal Fazendo
b) Um colaborador da Página de Artes Plásticas do Jornal Fazendo
c) Um colaborador da página de Literatura do Jornal Fazendo
d) Um representante do Conselho Directivo da Escola Secundária Manuel de Arriaga
e) Um professor da ESMA de uma das áreas a concurso

13. O júri, para além dos prémios atribuídos aos trabalhos que considerar de maior qualidade poderá atribuir menções honrosas que, no entanto não vincularão o jornal à respectiva publicação.

14.O júri pode deliberar não atribuir um dos ou ambos os prémios no caso de falta de qualidade das obras em concurso.

15. Os casos omissos ou divergências na interpretação do presente regulamento serão solucionadas pelo júri.

16. Das decisões do Júri não haverá recurso.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Edição nº34


Crónica

IV Festival de Teatro do Faial


Nos últimos anos temos assistido na ilha do Faial e especificamente na cidade da Horta, a um aumento de eventos e iniciativas culturais que incluem concertos, exposições de pintura e artes plásticas, espectáculos de dança, cinema (com a sedimentação de um importante festival), conferências e palestras temáticas entre outros acontecimentos que se consideram essenciais para estruturar uma sociedade mais desperta, mais crítica e naturalmente mais saudável. Neste contexto, o Teatro tem necessariamente que ocupar um lugar de destaque e um festival que promova e divulgue essa arte maior torna-se naturalmente indispensável.

Em 2010 vai acontecer pela quarta vez o Festival de Teatro do Faial. A Associação cultural Teatro de Giz foi novamente convidada pela Câmara Municipal da Horta (CMH) para organizar este evento, depois de o ter feito com sucesso em 2009. Foram cerca de 700 as pessoas que se dirigiram à sala do Teatro Faialense no ano passado, demonstrando assim que a vontade de ver e aprender o Teatro existe no seio da nossa comunidade.

Na IV edição deste festival gostávamos de ir mais além: partimos novamente da premissa da abrangência na mostra, ou seja, trazer companhias que façam uso de diferentes linguagens para que os espectadores possam viajar por técnicas, abordagens, estilos, pensamentos díspares que convergem para um mesmo propósito – num dado momento, condensar a vida e provocar a partilha única e efémera entre os que propõem (no palco) e os que assimilam (na plateia). Assim, vai ser possível assistir ao destaque das palavras e do texto mas também à expressão e às artes do corpo, ao cruzamento de outras linguagens (música, vídeo) num mesmo espectáculo, à utilização do títere e da sua personificação e aos que se dedicam ao universo infanto-juvenil através de uma linguagem próxima aos mais novos.

Mas para além de proporcionar aos participantes a mostra do que por Portugal se faz (este ano, ficamos em território nacional), queremos também facultar a aprendizagem e a compreensão dos meios que possibilitam os fins. Para isso, propusemos às companhias que nos vão visitar que preparassem oficinas não convencionais ou simples conversas que levassem os cidadãos interessados ao contacto directo com quem faz teatro e com a forma como se constrói a teia de uma peça nos seus mais diversos universos (o texto, a luz, a cenografia…).

Queremos mais, porque procuramos neste festival encurtar ainda mais as distâncias entre quem vê e quem faz, possibilitando inclusive, que no futuro os papéis se possam inverter.

Trazemos até ao Faial 4 companhias do continente - “Circolando”, “Palmilha-dentada”, “Art’imagem” e “O Nariz” – todas elas reconhecidas pelo trabalho que têm desenvolvido ao longo dos anos, mas também uma companhia residente em São Miguel (Despe-te-que-suas) que tem assumido justo destaque na região. O cartaz ficará completo com a participação de dois
grupos de teatro que desenvolvem o seu trabalho no Faial - “Carrocel” que estreia o espectáculo “Ò Zé põe-te em pé” e o próprio Teatro de Giz que estreia “À espera de Godot”, de Samuel Beckett, com encenação de João Garcia Miguel.

O formato do festival vai aproximar-se mais de uma temporada do que propriamente de uma sequência de espectáculos diários num período reduzido, porque queremos dar hipótese ás pessoas de assistirem a todas as peças, isto é, privilegiámos os fins-de-semana na agenda da iniciativa, de forma a que nos dias que são habitualmente os de descanso, os espectadores possam usufruir tranquilamente dos espectáculos e da digestão que
os mesmos exigem... Será entre os dias 20 de Março e 30 de Abril que tudo vai acontecer. O programa e outros produtos de divulgação vão ser disponibilizados na semana antes do arranque e durante o festival para que todos possam saber e escolher, de acordo com as suas vontades e disponibilidades.
Para nós, o conselho é certo – não percam nenhum, porque só acontece uma vez.

É verdade… esta é uma daquelas coisas que não passa na televisão.

Miguel Machete - Teatro de Giz




Colaboradores:

Capa: Luís Roque
Crónica: Manuel Machete - Teatro de Giz
Música: Tomás Silva
Cinema e Teatro: Miguel Machete - Teatro de Giz
Arquitectura e Artes Plásticas: Ágata Biga
Ciência e Ambiente: Parque Natural do Faial, Pedro Afonso

Gatafunhos: Tomás Silva

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